Noite Fora do Eixo traz o som das aparelhagens para o Studio SP
Tecnobrega. eletromelody, guitarrada e outros ritmos paraenses invadem a casa do Baixo Augusta. Evento terá Gaby Amarantos, Gang do Electro (DJ Waldo Squash e Maderito), Pio Lobato e o DJ Patrick Tor4
A primeira Noite Fora do Eixo de abril tem sotaque e ritmo paraense. A invasão leva o nome de O Som das Aparelhagens e será no dia 05, quando o Fora do Eixo traz a São Paulo a diva do tecnobrega, Gaby Amarantos, e também DJ Waldo Squash e Maderito, os responsáveis pela Gang do Eletro. Mais que o Estado de origem, os três compartilham também o status de ídolos da mistura entre o tecnobrega e o eletro. Além de suas performances individuais, eles também dividirão o palco do Studio SP, que mais uma vez abre as portas à integração musical. Completa a programação de shows o também parense Pio Lobato. Músico apaixonado pela guitarrada paraense, faz da sua marca a força primal dos loops: a repetição é matriz de texturas criadas com camadas sobre camadas sonoras, unicamente com o uso do instrumento elétrico.
Para fechar a noite, quem comanda as pick ups é o bahiano radicado em Belém DJ Patrick Tor4, com seu Baile Tropical, esquentando a pista do Studio SP com ritmos calientes e dançantes. O DJ que é membro e ativista da Associação Brasileira de Rádios Públicas - ARPUB, também aproveita a estadia na Casa Fora do Eixo São Paulo para participar do Observatório Fora do Eixo: Rádios, que discutirá o papel das rádios públicas, comunitárias, universitárias e online no domingo 3 de abril (veja mais informações abaixo).

As Noites Fora do Eixo e o Cedo & Sentado Fora do Eixo são realizações da Casa Fora do Eixo São Paulo, sempre às terças-feiras, focando a circulação de diferentes estilos musicais, artistas e bandas pelo tradicional clube da Rua Augusta, no centro de cultura emergente de São Paulo. Na proposta de ocupação do Studio SP, a Casa Fora do Eixo realiza também o projeto “Macaco Bong Convida” na terceira quinta-feira de cada mês.
Já passaram pelo Cedo e Sentado bandas como Nevilton (PR), Do Amor (RJ), Digital Groove (PE), O Sonso (CE), Herod Layne (SP), Vespas Mandarinas (SP), Pública (RS), Gloom (GO), Cabruêra (PB), Black Drawing Chalks (GO) e Tremor (Argentina).
Gaby Amarantos
Gabriela Amaral dos Santos, mais conhecida por Gaby Amarantos, cantora e compositora, iniciou na carreira aos 15 anos, como cantora na Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus no bairro do Juruna, periferia de Belém, onde chamava atenção por sua voz grave e marcante, que contagiava a todos. Sua animação e criatividade posteriormente fizeram com que a cantora ganhasse as noites junto à Banda Chibantes, onde o repertório misturava pop-rock com MPB.
Uma curiosidade sobre sua vida, é que Gaby vem de uma família de sambistas, adquirindo forte influência do estilo, em seu playlist ela costuma ouvir também outros gêneros como Flashbrega (musica do movimento de artistas que iniciaram o ritmo brega no Pará na década de 70), jazz, tendo como favoritas as cantoras Ella Fitzgerald e Billy Holiday. Gaby também obteve formações no teatro e na dança, já foi coreógrafa de grupos folclóricos e quadrilhas juninas, habilidades que só contribuíram para a formação dessa estrela do Pará. Em 2000 Gaby caiu nas graças do movimento tecnomelody, tornando-se uma pop-star da música Paraense, e teve grande reconhecimento com a banda Tecnoshow.
Gaby Amarantos é respeitada e considerada uma das mais belas vozes do Brasil, por produtores como Miranda, Cyz Zamorano, Kassin e Berna Ceppas, ela também é ganhadora de vários prêmios como cantora revelação no Prêmio Cultura de Música realizado pela TV Cultura de Belém, melhor cantora pelo prêmio Liberal da rádio afiliada da Rede Globo, cantora revelação no famoso e tradicional “Baile dos Artistas” e outros.
Gaby se prepara gravar seu primeiro CD solo no início de 2011, com a produção musical local de Luiz Félix Robatto, fundador da banda La Pupuña, direção musical de Carlos Eduardo Miranda, Kassin e Berna Ceppas. O disco terá misturas de tecnobrega com ritmos como carimbó, guitarrada, bangüê, samba de cacete, lundu, reggaeton, gerando uma musicalidade única no país e no mundo.
Gang do Eletro: Maderito e DJ Waldo Squash
Em novembro de 2008, DJ Waldo Squash e Marcos Maderito formaram a “Gang do Eletro”. Nos primeiros anos, a Gang era apenas uma forma de ganhar dinheiro no “sistema econônico do tecnobrega”: as músicas eram sempre vendidas para equipes (união de pessoas que freqüentam as aparelhagens), que pagavam entre R$ 250,00 e R$ 300,00 reais para ter seus nomes nos soundsystems da periferia de Belém.
A Gang do Eletro, progressivamente, foi se tornando a mais “desguiada” (como eles mesmos preferem definir) experiência de todo o mundo do tecnobrega. Misturando o tecnobrega ao eletro e usando graves extremos, eles criaram um novo ritmo, o Eletromelody. É cultura eletrônica pura, com as bases de Squash e um MC (Maderito). “Somos uma gang, não somos uma banda”, reafirma Waldo.
O trabalho da Gang tem letras conectadas com a realidade dos subúrbios de Belém e do Pará. Em novembro de 2010, a Gang do Eletro apresentou-se no Laboratório (palco experimental) do festival Se Rasgum – espaço dedicado a novas banda. A Gang do Eletro prepara-se para lançar seu primeiro CD, produzido, mixado e masterizado por Waldo Squash no estúdio APCE. Pela primeira vez, um Dj de tecnobrega/eletromelody entra em contato com estúdios de gravação profissionais para desenvolver e finalizar seu trabalho.
E assim, Maderito (nascido na periferia de Belém) e Waldo Squash (nascido em Muaná, cidade interior do Pará), misturam urbanidade Amazônica e tecnologia em seus experimentos. E o trabalho está apenas começando.
**Os cantores Keyla Gentil e William completam a Gang do Eletro.
Pio Lobato
O trabalho de Pio Lobato sempre buscou novas fronteiras, sotaques e experimentações voltados exclusivamente para a execução da guitarra elétrica. Ainda na década de 90, o músico de Belém já havia vasculhado a influência do choro na técnica original de guitarristas da região como Aldo Sena e Mestre Vieira de Barcarena, o maior difusor do gênero denominado guitarrada.
Músico formado pela Universidade Federal do Pará, a partir de 1997 o guitarrista passou a integrar o grupo Cravo Carbono, um dos mais respeitados trabalhos de flerte entre o pop e os ritmos brasileiros estabelecidos na região.
Também em busca paralela por um caminho mais próprio para suas composições instrumentais, Pio Lobato muniu-se de elementos que se tornariam patentes na sua música: colagens de bases pré-gravadas e manipuladas em computadores caseiros e muitos loops, construídos com a ajuda do echoplex - um original aparelho de delay eletrônico inventado por Mathias Grob, suico radicado na Bahia, que permite a um músico acompanhar a si mesmo em sessões ao vivo. O resultado, que pouco tem a ver com as timbragens e ritmos mais comuns à música eletrônica, pode ser conferido em Café, o primeiro disco solo de Pio Lobato.
Patrick Tor4
Patricktor4 nasceu na Bahia, mas passou boa parte de sua vida rodando pelo Brasil: Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Sergipe e finalmente Pará. Dos Estados onde morou, trouxe em sua herança cultural o gingado, o peso e a criatividade da música popular destes lugares, transferindo para as pistas de dança as batidas mais ricas e diversificadas da música brasileira e mundial.
Atualmente vive em Belém do Pará, metrópole da Amazonia, cidade que concentra uma potencialidade musical ainda pouco explorada mundialmente com carimbós, guitarradas e o tecnobregas de forte influencia afro-latina.
O resultado de todas estas fontes estão em sua performance ao vivo com samplers, loops eletrônicos, percussão e a participação de convidados como Pio Lobato e tantos outras mostrando mais uma vertente de música para as pistas, com a brasilidade das referências que vão de Clara Nunes a Jackson do Pandeiro e Mestre Vieira, passando pelos afrobeats de Fela Kuti e Tony Allen, até as fanfarras inusitadas do leste europeu e latinidade eletrônica das aparelhagens da floresta.
Observatório Fora do Eixo: Rádios
O Observatório Fora do Eixo é uma plataforma de formação do Circuito Fora do Eixo e seu principal intuito é aprimorar os princípios norteadores do Circuito através de suas frentes gestoras, possibilitando o desenvolvimento cada vez maior dos trabalhos concebidos em rede. Os debates acontecem presencialmente e são transmitidos e mediados também pela internet, sempre ao vivo.
Na edição sobre Rádios, o debate conta com a mediação de Ney Hugo, músico e gestor a participação de: Patrick Tor4 (PA), DJ e integrante da Associação Brasileira de Rádios Públicas (ARPUB); Letícia Rezende (MG), repórter e dj da Webrádio Fora do Eixo; e Bruno Dias Pereira (SP),jornalista, editor do site Urbanaque e apresentador da Rádio Levis. Em pauta, o passado, o presente e o futuro das rádios públicas, privadas, comunitárias e online. Além do debate, o Observatório Fora do Eixo: Rádios também inclui um programa de rádio ao vivo, com transmissão on line, apresentando músicas no formato da teoria do bloco musical, unindo a prática à teoria discutida.
Na edição sobre Rádios, o debate conta com a mediação de Ney Hugo, músico e gestor a participação de: Patrick Tor4 (PA), DJ e integrante da Associação Brasileira de Rádios Públicas (ARPUB); Letícia Rezende (MG), repórter e dj da Webrádio Fora do Eixo; e Bruno Dias Pereira (SP),jornalista, editor do site Urbanaque e apresentador da Rádio Levis. Em pauta, o passado, o presente e o futuro das rádios públicas, privadas, comunitárias e online. Além do debate, o Observatório Fora do Eixo: Rádios também inclui um programa de rádio ao vivo, com transmissão on line, apresentando músicas no formato da teoria do bloco musical, unindo a prática à teoria discutida.
O Observatório Fora do Eixo: Rádios acontece a partir de 14h no próximo domingo, com inscrições gratuitas, na Casa Fora do Eixo São Paulo. A participação online também é livre, basta acessar observatorio.foradoeixo.org.br e interagir.
Serviço
Fora do Eixo apresentaNoite Fora do Eixo - O Som das Aparelhagens
Terça, 05 de abril, a partir das 23h
Entrada: R$ 20 | R$ 15 com nome na lista amiga do Studio SP
Shows:
Gaby Amarantos
Pio Lobato
Pio Lobato
DJ Waldo Squash
Maderito
DJ:
Patrick Tor4 (Baile Tropical)
Studio SP
Rua Augusta, 591 – Centro – São Paulo, SP
Capacidade: 450 pessoas
Censura: 18 anos
(11) 3129-7040
Observatório Fora do Eixo: Rádios
Domingo, 3 de abril, a partir das 14h
Debate + discotecagem
Casa Fora do Eixo São Paulo
Rua Scuvero, 282 - Cambuci
(11) 4304-1537
(11) 4304-1537
Inscrição Gratuita - 30 vagas
Inscrições: casasp@foradoeixo.org.br
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